sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bolinho Torto

Meu bolinho saiu torto do forno. É só um fato, sem explicação científica: numa mesma assadeira, alguns bolinhos ficaram lindos e outros ficaram assim, com cara de ismígol. Pois é, tem coisas que a gente faz com a mesma receita, com o mesmo empenho e com a mesma fé, e mesmo assim elas não dão certo. Saem do forno tortas e, assim que olhamos para elas, a frustração nasce no fundo do coração. Ultimamente, minha vida anda assim, como uma fornada de bolinhos tortos, recheados de decepções. Mas, de qualquer maneira, não sou de jogar comida fora e como os bolinhos assim mesmo. Não saíram do jeito que eu queria, mas ficaram gostosos no fim das contas. Além disso, combinam muito bem com um copo de leite no lanche da tarde...

sábado, 12 de maio de 2012

38

Mais um aniversário. Mais um ano de vida que se foi. Fazer aniversário sempre me deixa nostálgica, porque me faz perceber que o tempo nunca pára de correr. Surpresas boas acontecem, imprevistos nos pegam desprevenidos, o tédio invade os dias e o tempo sempre vai em frente. Os ponteiros do relógio nunca param de girar. Trocar de idade inspira mudanças: hoje não preencho mais na ficha do crediário "37 anos". Agora não faltam mais três anos para eu fazer quarenta, faltam apenas dois. Estou mais longe dos trinta e cinco do que ontem. Aniversário me faz pensar em tudo o que já passou, mas ao mesmo tempo faz surgir uma grande curiosidade sobre o que ainda vem pela frente. É bom fechar um ciclo. É bom começar um novo ciclo.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Porque?

Quando as coisas não vão bem (ou pelo menos não vão bem como gostaríamos), a tendência é achar que as coisas nunca mais vão ir bem. A impressão é a de que nunca mais vamos conseguir sair do buraco e que o inferno é aqui. Surge sempre a velha e sucinta pergunta: "Por que estou passando por isso, onde foi que eu errei, o que fiz para merecer?" Nesses momentos, a grama do vizinho é muito mais verde, chega a ser fluorescente. Dá inveja de todo mundo para quem as coisas, ao contrário de você, vão muito bem. Inveja daquelas que parecem alfinetar o coração. Andar pela rua e ver pessoas sorrindo despreocupadas é uma tortura. Porque, ao contrário de você, elas podem respirar tranquilamente. Então, você fica se perguntando o que pode fazer para que as coisas passem a ir bem, não precisa nem ser muito bem. Aliás, nem precisa ir bem, basta parar de piorar. Lógico que você não tem essa resposta, senão as coisas já estariam indo bem. Mas, nada é para sempre. Um dia, as coisas cansam de piorar e pra variar um pouquinho mudam a perspectiva e começar a melhorar. É assim mesmo, sem explicação lógica e sem causa-e-efeito. Tudo passa. Mas, às vezes, demora.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A vida pede mais

Queria muito que meu facebook estivesse cheio de fotos de coisas bacanas que fiz ultimamente, que meu celular me incomodasse com tantas notificações de mensagens, que minha agenda não tivesse nenhum lugar onde escrever mais compromissos e que eu acordasse de manhã sem saber por onde começar o dia. Mas, já faz muito tempo que a vida não é assim. Os meses passaram e ainda espero por uma grande e boa notícia que não chega nunca. Até que fui forte até aqui, consegui manter a esperança e seguir lutando por um objetivo. Mas, infelizmente, sinto que cheguei no meu limite, pois uma coisa começou a tirar o meu sono: a dúvida. Depois de tanto tempo estudando, viajando para as provas, depois de vitórias e derrotas, teve um dia que acordei e me perguntei: "Será que estou no caminho certo?" Esse momento de hesitação veio como um estalo e instantaneamente levou embora a minha paz. Porque eu acho muito fácil encontrar forças para conseguir alcançar uma meta, mas acho muito difícil não ter certeza de que atingir a meta é realmente o melhor a ser feito. E agora? O que faço com a dúvida? Ela simplesmente apareceu e se instalou entre eu e meu objetivo. Preciso de uma luz, um sinal do universo, uma mensagem do infinito, um chamado do além, qualquer coisa que me faça voltar a acreditar. Que saco.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Mudança do Vento

É meio de março e o primeiro vento frio soprou por aqui. Dá pra sentir o verão indo embora e pressentir mais um inverno chegando. A direção do sol já mudou e agora ele já entra no meu quarto quando abro a janela de manhã. Às vezes, as coisas acontecem assim: tão gradativas que a gente só percebe se parar para prestar atenção.

terça-feira, 13 de março de 2012

Cansaço

Eu tinha esquecido como é importante um abraço, um olhar, um carinho. Tinha esquecido como faz bem alguém pegar na sua mão, olhar nos seus olhos e dizer que realmente acredita em você. Ao meu lado, tenho muitas pessoas que estão me dizendo isso o tempo todo e eu simplesmente não tenho nem percebido, não tenho dado valor. Acho que estou enfrentando a fase mais pesada da minha vida, estou tendo que ser muito forte. Para isso, só tenho olhado para a frente, perseguindo um único objetivo. Mas, percebi que preciso olhar para os lados. Todo mundo precisa de carinho. Inclusive eu.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mais um dia

Saber quanto ainda falta para chegar é uma grande ajuda para quem está cansado de caminhar. Muitas vezes, consegui suportar sofrimentos grandes e pequenos simplesmente porque sabia quando iam terminar. Parece que assim eu faço um planejamento interno para conseguir utilizar bem a persistência e fazer com ela não acabe antes de alcançar o objetivo. Quando estava trabalhando de freela, passei dois meses sem folga. Sessenta dias direto sem nenhum dia para descansar. Foi muito difícil, mas consegui fazer bem o meu trabalho porque sabia que eram só dois meses e nada mais (tudo bem que o dinheiro entrando também ajudou). O problema é que a recíproca também é verdadeira: quando não sei quanto tempo ainda tenho que aguentar, tudo se torna extremamente mais difícil. É por isso que estudar para concurso público está sendo meu maior desafio até agora, porque eu não sei por quanto tempo eu vou ter que continuar persistindo. É como estar nadando em direção à praia e não saber se vou ter forças para conseguir chegar até lá.
O mundo dos concursos é um universo paralelo. É totalmente diferente do que estamos acostumados a fazer. Ficar sozinha oito horas seguidas dentro de um quarto, apenas lendo e escrevendo, traz um sentimento inédito. Não é solidão, é algo que não tem nome. É estar voltado para dentro de si, para dentro da mente, pensando em coisas sem ligação com o mundo real. Para mim não é algo de todo bizarro, porque sempre gostei muito de estudar. Mas, é diferente e às vezes me dá um pouco de medo. Nem é um caminho que eu escolhi, na verdade as circunstâncias (como sempre) me levaram a ele. Mas, agora já caminhei um bocado e não dá mais para voltar. O lance é ir em frente, mesmo sem saber se estou chegando ou se ainda falta muito.