Tem gente que tem o dom de saber fazer um bom drama. Também, fazer drama é a coisa mais fácil do mundo. Se você corta o dedo na faca fazendo o jantar, dá pra faltar no emprego no dia seguinte por incapacidade física. Se o marido esquece o dia do aniversário de casamento, dá pra ficar uma semana sem falar com ele. Tudo na vida pode ser aumentado de intensidade e gravidade. Principalmente, para o lado negativo. No blog, então, nem se fala. Dá pra escrever centenas de posts sobre como a vida é uma bosta. Além de tudo, é de graça. Então, não há limites para a auto-piedade. Dá pra colocar fotinhas que dão vontade de chorar, dá pra pirar nas licenças poéticas, evocar o passado e amaldiçoar o futuro sem remorso. Mas, nem sempre o mais fácil é o mais indicado. Definitivamente, fazer drama é bem fácil - mas, é meio ridículo! Chega de ser ridícula!
terça-feira, 17 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Partida
Por que discutimos mais com pessoas da família do que com amigos? Por que choramos mais quando nosso pai ou nossa mãe nos magooam? Por que dói mais a indiferença deles do que qualquer outra coisa no mundo? É porque, bem ou mal, foram eles que nos ensinaram a andar, a falar, a brincar, a sentir e a pensar. Se eles nos dizem que somos maus, isso tira um pedaço do nosso coração, porque aprendemos que devemos acreditar no que nossos pais dizem. De tanto escutar que eu era má e que não merecia que alguém me amasse, eu saí de casa há mais de dez anos fechando a porta atrás de mim e jurando que nunca mais voltaria. Ficar sozinha trouxe longos períodos de sofrimento e incertezas, mas me deu a oportunidade de rever muitos dos meus valores. Pouco a pouco, eu acabei voltando. Hoje, depois de muitos anos, tive novamente motivos para chorar e para ficar magoada. Percebi que existem pessoas que não mudam, não aprendem com os próprios erros. Ao contrário, continuam magoando as pessoas com a sua intransigência e egoísmo. Eu gostaria que as outras pessoas tivessem mudado, assim como eu mudei, que tivessem procurado curar as feridas, por si mesmo e pelos outros. Mas, não foi assim. Pouca coisa mudou. O medo de admitir as fraquezas e, principalmente, a falta de amor e consideração, impede até mesmo que se enxergue alguém ao lado. Por isso, assim como há dez anos atrás, eu decidi que vou embora novamente. Vou continuar a viver a minha vida, sem esperar nada de ninguém. Já vivi muito tempo sozinha, não vai ser tão difícil. Não quero provar nada pra ninguém. Vingança e sofrimento alheio nunca me fizeram sentir melhor. Só não quero criar expectativas de um apoio e um amor que nunca virão. Tenho certeza que do outro lado, também esperam isso de mim: que eu não peça, que eu não exija, que eu não sinta falta do carinho e da atenção que eles não podem me dar. Pelo menos, não do jeito que eu gostaria de receber. Pra não criar mais conflito, não vou desaparecer, vou apenas manter a distância. Porque eles precisam ter a ilusão de que estamos todos juntos e felizes. Eu já cansei de ser a culpada nessa história. Então, estou saindo da história.sexta-feira, 13 de março de 2009
Passos Largos
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Além das Fronteiras
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Life goes on
Sim, chorei por alguns minutos. Coloquei "Blower's Daughter" do Damien Rice para tocar e chorei como fazia tempos que não chorava. As lágrimas brotaram e escorreram pelo meu rosto até o momento em que secaram. A pele ardeu, lágrimas secas no rosto sempre ardem. Daí, não consegui mais chorar. Tive vontade de passar a madrugada inteira chorando, queria ir para cama chorando como já fiz tantas vezes na minha vida, queria até quebrar algum objeto, jogar coisas na parede pra aliviar a tensão, mandar uma mensagem com palavrões pelo celular, qualquer coisa assim. Mas, parei de chorar e senti que não tinha mesmo tantos motivos para continuar chorando. Tomei um banho e pensei: "chega disso, vou dormir porque estou cansada." E foi isso. Na manhã seguinte, acordei e fiquei lembrando de como a noite passada tinha sido bacana, quantos amigos tinha encontrado e o quanto tinha me divertido no desfile de carnaval. Só depois de um tempo é que fui lembrar que tinha chorado. E tudo pareceu meio bobo, meio sem sentido. Levantei para tomar um café bem forte e cheiroso. Olhei pela janela e o sol estava forte e radiante. A claridade da manhã me deu a certeza de que a vida sempre continua. A vida sempre segue em frente. E eu também.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Inevitável
Desde o dia em que fechei a porta da nossa casa e parti, eu sabia que o dia de ver você com outra mulher chegaria. Esse dia foi hoje, domingo de carnaval. Não faz 30 minutos que vi pela primeira vez você acariciando os cabelos de outra mulher e sorrindo como sorria para mim. Nossa história já acabou há quase um ano, mas foi somente hoje, no exato momento em que vi você com outra pessoa, que você oficialmente não faz mais parte da minha vida. Pode ser que você já seja de outra mulher há muito tempo, mas foi somente hoje que isso se tornou realidade para mim. Porque eu vi. E o que os olhos vêem, o coração sente. Eu sabia exatamente que sentiria isso que estou sentindo, uma sensação de fracasso diante de uma amor que poderia ter dado certo. Mas, não deu. Agora sei que você abraça um outro corpo e outra pessoa diz que te ama quando acorda ao seu lado na sua cama. A tristeza invade a minha alma, mas sei que vai passar. Apesar de estar triste, não me arrependo de nada e sei que não existia mais chance para nós. Sei que o meu destino era esse, era estar sem você, talvez para eu ter que ser forte o suficiente para superar a sua falta. E sei que sou forte, sei que vou te esquecer. Sei que agora vou te esquecer para sempre e vou seguir em frente, tentando sempre ser melhor que ontem. É esse o meu destino. Eu sempre encaro os desafios que a vida me impõe. Com coragem e determinação. Com força e vontade de ser feliz. Não é agora que vou abaixar a cabeça. Não é agora que vou sentir pena de mim mesma. Eu encontro força na adversidade. Se a vida me dá uma rasteira, pode ter certeza que eu levanto com muito mais vontade de continuar de pé. Não vou cair. E melhor: vou continuar caminhando, seguindo em frente. Sempre adiante. Adeus, foi bom ter te conhecido e foi ótimo ter te abandonado. Até nunca mais. Você já faz parte do meu passado, espero poder um dia nunca mais pensar em você. Não te desejo nada, nem felicidade, nem sofrimento. Só quero poder esquecer.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Às vezes, Cansa...
Manter a pose às vezes cansa. Tem horas que dá vontade de arrancar o sapato, comer com a mão sem guardanapo, sentar concundinha na cadeira e apoiar o pé na mesa de centro. Desde que optei novamente pela vida de solteira, estou mantendo a pose: cabeça erguida, peito estufado, olhar mirando o horizonte e um sorriso confiante no futuro. Nem é fingimento, a pose é o reflexo do que vai aqui dentro. Não é só postura, mas é um sentimento verdadeiro de que a vida está melhor e que finalmente encontrei um pouco de paz. Mesmo assim, às vezes cansa. Sei que na obstinação de sobreviver às grandes mudanças por que passei nos últimos dois anos - uma demissão e uma separação - montei uma estratégia para me proteger do sofrimento. O plano foi resistir e continuar em frente. Sem auto-piedade, sem arrependimento e sem medo. Deu certo, porque se existe uma coisa que é meu defeito e minha maior qualidade, isto se chama persistência. No entanto, para não se afogar, a gente gasta um bocado de energia para continuar na superfície e não afundar. Tem dias que sinto que estou precisando de uma bóia. Não pra vida toda, mas só pra dar uma descansadinha e evitar cãimbras. Ontem, pela primeira vez senti saudade de uma coisa: andar de mão-dada com alguém. Dormir abraçadinho e acordar abraçadinho do mesmo jeito. Receber uma msn romântica no celular. Colocar dois pratos na mesa na hora do jantar. Abstraí tanto que já tinha me esquecido do quanto isso é bom, do quanto isso aquece o coração e preenche a alma. Não queria sentir falta disso, porque não é uma coisa que posso ir no supermercado e comprar uma dúzia. Pode ser que isso nem aconteça mais na minha vida. Mas, não adianta fingir que não está faltando nada. Sinto, logo existo.
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